Arlindo Pinto
Today Is A Long Time

Today Is A Long Time


Title: Today Is A Long Time
Author: Arlindo Pinto
Graphic design and concept: Fábio Miguel Roque
Foreword: Susana Paiva
Closing Text: Arlindo Pinto
Translation: Linda Formiga
Edited by: The Unknown Books
64 pages
21 x 21 cm
October 2017


[PT]

Queridos Avós (escrevo-vos de onde mora o amor)

"O acto de ver e de Olhar não se limita a olhar o visível mas o invísivel.

De certa forma é o que chamamos de imaginação."

Oliver Sacks  

 

Tenho a firme convicção que uma casa onde morou o afecto jamais estará vazia. É este eco sentimental, esta presença distante, que escuto ainda nas imagens com que Arlindo Pinto compõe esta carta de amor póstuma, dirigida aos seus avós, neste "Today is a long time".

Evito sucumbir à tentação de invocar cada imagem, cada um destes espaços aparentemente abandonados, como testemunhas de um certo Portugal rural, como memórias dos tempos felizes de infância que o autor aí viveu. Fácil, demasiado fácil, seria ampliar o relato do Maravilhoso com que um infante feliz recorda o seu passado, pleno de aventuras e tranquilidade, num tempo em que desconhecíamos ainda o seu verdadeiro valor.

Seria limitante ancorar este discurso num glorioso e saudoso tempo ido, esquecendo que hoje, deste posto de vigia que é o presente, o mais importante é a aguda compreensão de quão estruturante pode ser o amor, de como ele nos edifica e torna humanos.

Associar esta revisitação imagética a uma história de afectos, a um universo do aparentemente invisível ou pelo menos não evidente, é exactamente uma das paradoxais virtudes da fotografia, ou pelo menos parte do seu enigma, - essa hipotética tradução do invisível em imagens retinianas, visíveis perante o olhar de todos que as desejem interpretar. Não será assim de espantar que onde figuram poeiras do tempo leia também eu, em potência, a história que uniu avós e neto em torno do devir.

Ė um poético relato de imortalidade e humanidade, este generoso livro pronto agora a ser fruído. Um secreto murmúrio partilhado, sobre as múltiplas formas como a morte nos toca e esculpe. "Mas, repara:", relembra Gonçalo M. Tavares, "o passado não pode ser tocado. Experimenta tocar em algo que sucedeu ontem ou há seis séculos. O passado é intocável, é imortal.

Como já acabou, não acaba. Que estranho, dirás."

Susana Paiva

***

[EN]

Dear Grandparents (I write you from where love resides)

“The act of watching and seeing is not only seeing the visible but the invisible.

In a certain way is what we call imagination.”

Oliver Sacks

I am firmly convicted that a house where affection has lived will never be empty. It is this sentimental echo, this distant presence, that I still hear in the images with which Arlindo Pinto composes this posthumous love letter to his grandparents, on this “Today is a long time”.

I try not to succumb to the temptation to invoke each image, each of these spaces apparently abandoned, as witnesses of a certain rural Portugal, as memories of a happy childhood the author has lived. Easy, too easy, would be to broaden the message of Wonderfulness with which the happy infant remembers his past, plenty of adventures and serenity when we did not know its real value.

It would not be enough to anchor this speech on a glorious and longed time, forgetting that today, in this lookout point that is the present, the acute comprehension is the most important fact on how structuring love can be, how it moulds us and turns us into humans.

To associate this imagetic revisitation with a story of affection, with a universe of what is apparently invisible or not so evident, it is exactly one of the paradoxical virtues in photography, or at least part of the enigma – this hypothetical translation of the invisible into retinal imagery, visible to the eyes of everyone who wishes to interpret them. Therefore, it would be surprising that the place where the dust of time is represented, I would potentially read the story that got grandparents and grandson together around being.

This plentiful book, now ready to be delightfully enjoyed, is a poetic story of immortality and humanity. A shared secret whisper about the many forms death touches and sculpts us. “But, look:” – Gonçalo M. Tavares reminds – “the past cannot be touched. Try to touch in something that has happened yesterday or six centuries ago. The past is untouchable, is immortal.

As it has ended, it does not end. How strange, you would say.”

Susana Paiva

23 EUR